Mês das mães: vida e maternidade ganham outras cores com construção de vínculos e apoio coletivo

8 de maio de 2026 - 14:10 # # # # # # #

Assessoria de Comunicação do Hias e do HGWA
Texto e fotos: Levi Aguiar e Bruno Brandão
Arte gráfica: Júlio Lopes

 Na segunda reportagem sobre rede de apoio como suporte às maternidades, da série Mês das Mães 2026 da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), vamos conhecer iniciativas de unidades da Rede Sesa que buscam dar apoio a mães trabalhadoras e assistidas.

Entre cuidados e vínculos, mães encontram ponto de apoio no Espaço da Família do Hias para seguir durante a internação dos filhos

No Hospital Infantil Albert Sabin (Hias), unidade da Sesa, parte da rotina de quem acompanha crianças internadas passa pelo Espaço da Família. Durante o período de internação dos filhos, é ali que muitas mães encontram um tempo possível para descansar, tomar banho, ou simplesmente pausar por alguns minutos. O ambiente foi pensado para acolher quem permanece no hospital e acompanha de perto o tratamento.

É nesse cenário que a história de Léia Oliveira, 32, se desenrola. Natural de Tauá (a 342 km de Fortaleza), ela é mãe de Bella, paciente de um ano e nove meses, e de Joel, de seis. Também é esposa, empreendedora e alguém que, como costuma dizer, aprendeu a se reinventar.

Em um hospital pediátrico, são as mães, em grande maioria, que permanecem ao lado dos filhos durante a internação. São elas que atravessam dias e noites, reorganizam a própria vida e constroem, dentro do hospital, uma rotina marcada pelo cuidado contínuo. Nas enfermarias e consultórios, essa presença se repete e dialoga com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mostram que 84% das crianças brasileiras com menos de quatro anos têm uma mulher como principal responsável e, na maioria dos casos, essa figura é a mãe ou madrasta.

“O Espaço da Família cumpre um papel único na vida de quem é mãe e precisa internar o filho. Apesar de eu ter onde ficar também em Fortaleza, eu prefiro ficar aqui, por causa do acesso mais próximo à minha filha. A qualquer momento, eu posso ir ver a Bella. Há um lugar para tomar banho, para se deitar e descansar. E agora colocaram a máquina de lavar; isso facilitou ainda mais”, conta.

Veja o depoimento de Léia:

Complicações logo após o nascimento

A história de Bella começou em Tauá e, com apenas dois dias de vida, ela precisou ser transferida para Fortaleza. A menina nasceu com cardiopatia congênita e, nos primeiros meses, sofreu dois acidentes vasculares cerebrais (AVCs).

Para o acompanhamento neurológico, mãe e filha foram encaminhadas ao Hias, onde Bella segue em tratamento. Ao longo desse percurso, já foram mais de um ano e cinco meses dentro de hospitais. “Segundo a medicina, ela talvez não tivesse chance de sobreviver. Mas ela reagiu, se recuperou, principalmente das questões cardíacas, e a gente segue, um dia de cada vez”, conta Léia.

Longe de casa, do marido e do filho, Léia mantém uma rotina marcada pelos vínculos que constrói com outras mães e com os profissionais de saúde. “Os profissionais sabem quais são as condutas para ela, e isso me dá segurança de que logo vai estabilizar e poderemos voltar para casa”, diz.

Entre medicações, procedimentos e o olhar atento às necessidades de Bella, ela segue presente. Ao longo do percurso, aprendeu a pedir ajuda, reconhecer limites e se reorganizar sem perder o vínculo com quem ficou no interior. “Eu achava que tinha que dar conta de tudo sozinha, mas hoje entendo que preciso aceitar ajuda. Tem dias em que eu canso, e tudo bem dizer isso”, afirma.

A experiência de maternar uma criança com necessidades complexas atravessa sua identidade, mas não a define por completo. “Eu me construo e me reorganizo diariamente, como mãe atípica e como mulher, encontrando formas de seguir, mesmo diante das adversidades”, conclui.

Um aniversário ressignificado dentro do hospital

O Espaço da Família também foi cenário de um dos momentos mais marcantes para Léia durante a internação da filha. Dias antes do aniversário, em 21 de março, ela havia recebido notícias difíceis sobre o estado de saúde de Bella. “A expectativa era passar a data no hospital, longe da família e com muitas incertezas. Eu sempre gostei muito do meu aniversário, era uma data que eu esperava o ano todo. E achei que seria o pior da minha vida”, lembra.

Apoio das colegas e profissionais do Hias ressignificou momentos para Léia, mãe de Bella

A comemoração, no entanto, tomou outro rumo. Com apoio de setores do hospital e de outras mães, Léia reuniu familiares próximos e organizou um momento simples no próprio espaço. “Teve oração, conversa, comida compartilhada e bolo de ninho, que eu amo. Eu disse que não queria deixar passar em branco, queria ressignificar aquele momento. E deu certo”, conta.

Por algumas horas, o ambiente mudou. “A gente riu, conversou, se abraçou. Foi bom para mim e para todas as outras mães que estavam lá”, afirma. Para ela, o momento funcionou como um respiro dentro da rotina de cuidados. “Aquilo renovou minhas forças. Me deu ânimo para continuar, para enfrentar mais um dia, mais uma semana, mais um mês”.

Ao longo desse percurso, a maternidade ganhou “novos contornos”. “A gente se anula muitas vezes, esquece quem é. Mas também aprende a se reconstruir”, reflete. Para Léia, ser mãe atípica, estar no hospital e contar com um espaço voltado às acompanhantes reforça que o cuidado vai além dos procedimentos. “A vida e a maternidade ganham outras cores quando conseguimos construir vínculos e contar com apoio. Isso dá força para seguir, mesmo quando o caminho é incerto”, conclui.

Amor que alimenta: HGWA apoia mães que seguem amamentando na volta ao trabalho

Conciliar o retorno ao trabalho com a amamentação ainda é um desafio para muitas mães. No Hospital Geral Dr. Waldemar Alcântara (HGWA), em Fortaleza, essa realidade começa a mudar com uma iniciativa simples e significativa: uma sala de ordenha pensada para oferecer conforto, privacidade e apoio às profissionais. Mais do que um espaço físico, a sala representa acolhimento e respeito às escolhas das mães, que podem seguir amamentando sem abrir mão da rotina profissional.

A iniciativa faz parte do compromisso do hospital com a saúde integral de suas profissionais e com o incentivo ao aleitamento materno, prática reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como essencial para a saúde do bebê e da mãe. O espaço garante que as mães possam realizar a ordenha com privacidade e tranquilidade durante o turno de trabalho, preservando a produção de leite e o vínculo afetivo com o bebê, mesmo à distância.

Carolina Goes, nutricionista do HGWA, é um exemplo de como o suporte institucional transforma a experiência da maternidade. Mãe de primeira viagem do pequeno André, hoje com 1 ano e 1 mês, ela começou a utilizar a sala meses após retornar ao trabalho, período em que o filho já havia iniciado a introdução alimentar, mas sem interromper o aleitamento materno. “Mesmo após a introdução alimentar, ele continua mamando, e a sala foi muito importante para que eu pudesse ordenhar”, conta.

Para a nutricionista, o espaço significou mais do que conveniência. “Minha experiência foi muito positiva, porque a sala me trouxe acolhimento, privacidade e tranquilidade para manter a amamentação, mesmo estando longe do meu filho por algumas horas. “Saber que o hospital oferece esse suporte faz toda a diferença para mães que desejam continuar amamentando após o retorno ao trabalho”, afirma.

Veja o depoimento:

Um momento ficou marcado em sua memória: a percepção de que, mesmo com a rotina acelerada de um hospital, conseguia seguir oferecendo leite humano ao filho. “Isso me trouxe um sentimento de alívio e felicidade, porque a amamentação é algo muito importante para mim”, relembra.

A experiência positiva foi além do próprio filho. Com o leite ordenhado em excesso, Carolina realizou doações ao posto de coleta do próprio hospital, um gesto que beneficia bebês internados que precisam de leite materno e não têm acesso. “Foi uma experiência muito gratificante poder ajudar outros bebês por meio desse gesto. Espero continuar doando o leite”, diz ela.

Mãe de primeira viagem, Carolina reflete sobre o quanto a maternidade mudou sua vida. “Hoje, o André já está com 1 ano e 1 mês, e continuar vivendo a amamentação nessa fase me faz refletir sobre o quanto a maternidade mudou minha vida e me ensinou sobre amor em uma dimensão que eu ainda não conhecia. Apesar do cansaço e dos desafios, sinto-me profundamente grata por viver essa fase e por poder nutrir meu filho”, conclui.