Método canguru fortalece vínculo e contribui para recuperação de prematuros no Hospital Infantil Albert Sabin
23 de março de 2026 - 11:52 #Aleitamento materno #contato pele a pele #Hospital Infantil Albert Sabin #método canguru #neonatologia do Hias #prematuros
Assessoria de Comunicação do Hias
Texto e fotos: Levi Aguiar
“Depois de quase um mês de internação, poder sentir meus filhos assim é algo único. Colocar eles no meu peito, pele com pele, e ver que estão calmos, tranquilos, é uma sensação que não dá para explicar. Eu sinto o cheirinho deles, e eles sentem o meu. Parece que a gente se reconhece ali”, relata a agricultora Kátia Freitas, 34 anos, moradora de Itapipoca e mãe dos gêmeos João e Pedro. As crianças estiveram internadas na Unidade de Cuidados Intermediários Neonatal (Ucin) do Hospital Infantil Albert Sabin (Hias), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará.

Kátia já teve alta e voltou para casa com os filhos gêmeos
Nascidos prematuros, os bebês tinham no contato com a mãe uma etapa do processo de recuperação. A prática descrita por Kátia integra o método canguru, estratégia adotada para promover o contato pele a pele entre o bebê e a família. De acordo com a terapeuta ocupacional Evanilse Leite, a abordagem contribui diretamente para o desenvolvimento dos recém-nascidos.
“O método canguru favorece a autorregulação dos bebês, melhora a qualidade do sono e contribui para o desenvolvimento neurossensorial. O prematuro sai de um ambiente de proteção e precisa se adaptar ao meio externo. O contato pele a pele com a mãe, o pai ou alguém próximo traz segurança, reduz o estresse e auxilia nesse processo”, explica.
Na rotina da Ucin, o acompanhamento é realizado por equipe multiprofissional, formada por enfermeiras, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, neonatologistas e terapeutas ocupacionais, com foco na estabilidade clínica e no desenvolvimento dos bebês.
“O contato pele a pele integra o cuidado assistencial, aproxima mães e filhos durante a internação e contribui tanto para a adaptação ao ambiente fora do útero quanto para o fortalecimento do vínculo familiar”, conclui.
Desenvolvimento neonatal
Segundo a neonatologista Ana Rosana Mont’Alverne, a prematuridade exige atenção contínua. “A prematuridade é definida pela idade gestacional inferior a 36 semanas. São bebês mais vulneráveis, com imaturidade dos sistemas respiratório, cardíaco e renal”, explica.
“Em relação ao método canguru, ele fortalece o vínculo com a mãe, estimula o aleitamento materno e contribui para o desenvolvimento do bebê. O leite humano oferece fatores nutricionais e de defesa que ajudam na imunidade, o que é fundamental para esses recém-nascidos”, afirma.
Sobre os gêmeos
João e Pedro nasceram com 33 semanas de gestação, no dia 19 de fevereiro, com menos de dois quilos. Eles foram transferidos de Itapipoca para Fortaleza no dia 21 de fevereiro. Os pequenos apresentaram desconforto respiratório inicial e dificuldade para alimentação por via oral, sendo necessário suporte e uso de sonda nos primeiros dias. Com a evolução clínica e o acompanhamento da equipe, os bebês iniciaram a alimentação por via oral e, em seguida, receberam alta hospitalar.